sábado, 2 de julho de 2016
Reserva Florestal Adolpho Ducke - O começo de um fim trágico - Borda Leste
A Reserva Florestal Adolpho Ducke (RFAD) possui 10.000 hectares (100 km²) e aproximadamente 10 km de cada lado. A área da reserva foi inicialmente escolhida pelo botânico Adolpho Ducke na década de 40, que a selecionou como uma parte da Hiléia que deveria ser resguardada para o futuro. A área foi solicitada inicialmente ao governo do Estado do Amazonas em 1955, pelo então Diretor do INPA, Dr. Olympio da Fonseca Filho. Em 1959, um Termo de Doação foi emitido pelo governo estadual. Atualmente a grande pressão de expansão da cidade de Manaus vem ao longo dos anos não só ameaçando o futuro da reserva, como também degradando a área que pertence a esta reserva, simbolo de conservação e pesquisa na Amazônia, não precisa ir em loco para ver o que estou tentando mostrar, basta ler alguns artigos do Dr. Eduardo Pinheiro e ver os dados do projeto Prodes, desenvolvido pelo INPE ( http://www.dpi.inpe.br/prodesdigital/prodesmunicipal.php) para visualizar este avanço no desflorestamento de áreas verdes.
Uma das informações em destaque é a classificação do município de Manaus, que ficou em 8º lugar na lista dos municípios que mais desmataram no ano de 2014, conforme informações do programa PRODES
A configuração atual desse cenário critico e preocupante vem através dessa imagem extraida das informações do PRODE INPE, onde em vermelhor estão as áreas desmatadas e em verde o que ainda sobra de vegetação. Ano passado 2015, esse era o cenário, o que vai ser no futuro?
Como fotografo de natureza temos a missão de mostrar ao mundo não só a natureza linda é bela em sua essência, temos que lutar pela conservação dessas áreas, pelo planejamento da cidade, pela valorização dessa enorme biblioteca silenciosa, eu luto pois acredito que temos a oportunidade de pelo menos mostrar que ainda podemos fazer diferente, trabalhar com as crianças e ensinar a elas o valor dessa natureza cheia de animais que são peças importantes do ecossistema.
Hoje comecei uma parte dessa trajetória triste para mim, e para o mundo, registrar aquilo que um dia não vai mais existir, a borda leste, no caminho de minha jornada me deparei com alguns habitantes dessa reserva linda, os Macacos Parauacús e Sauims de Coleira, para mim, uma grande nostalgia revê-los nesse ambiente ainda farto de alimentos, a goiaba de anta, e o vasto horizonte de Matas conservadas, nos leva a ver o grande potencial de ser caminhar pela borda da Reserva, apesar de ser perigoso, tenho que realizar este trabalho para alertar as autoridades sobre a fragilidade em que se encontra a Reserva.
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